segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Alma lavada


Depois de um operário, uma mulher. E foi sofrido. Claro que para Lula não foi fácil: ele teve de passar por três derrotas antes de chegar à presidência. E a reeleição também foi uma batalha dura. Mas, desde a redemocratização do país, nunca se viu uma campanha tão vil, cruel, sórdida e mentirosa quanto a que foi empreendida pela extrema direita e seus braços midiáticos contra Dilma Rousseff. Só encontrou paralelo na época da UDN de Carlos Lacerda, com o apoio de Roberto Marinho, quando Getúlio Vargas, JK e Jango eram perseguidos implacavelmente.

Por tudo isso, a vitória de Dilma atingiu uma dimensão que extrapola os limites da política partidária. Foi novamente a vitória da esperança sobre o medo, foi a vitória do amor sobre o ódio, da verdade sobre a mentira. E temos de estar preparados para continuar enfrentando essa campanha massacrante durante todo o primeiro mandato de Dilma.

A mídia, considerada em muitos países como o “quarto poder”, é um fator de desequilíbrio do processo político brasileiro. Os meios de comunicação brasileiros são controlados por meia dúzia de famílias, que impõem seu pensamento único e cerceiam a verdadeira liberdade de expressão. Todas as tentativas de estabelecer qualquer forma de regulamentação que reduza tal poder ilimitado são rechaçadas como “ameaças à liberdade de imprensa” – uma liberdade que só vale para os donos desses veículos –, mesmo que sejam medidas adotadas em todo o mundo civilizado, como a proibição da propriedade cruzada de meios de comunicação. Mas os jornalistas que pensam diferente desses patrões defensores incondicionais da “liberdade de imprensa” têm sido punidos até com a perda do emprego quando ousam revelar suas opiniões.

Lamentável também foi o papel a que se prestou o PSDB. A legenda originariamente de centro-esquerda fundada por Mário Covas abandonou completamente o ideário social-democrata. Sob a liderança de FHC e Serra, os tucanos canalizaram todos os preconceitos e a truculência de uma elite retrógrada, racista e escravagista.

Diante desse quadro, mais do que a vitória de Dilma, comemoramos a derrota da Abril, Globo, Folha e Estadão; de Reinaldinho Cabeção, Diogo Mainardi, Míriam Leitão, Merval Pereira, Arnaldo Jabor, Eliane Cantanhede, Dora Kramer, Mônica Waldvogel e Ali Kamel; de Arthur Virgílio, Álvaro Dias e Gustavo Fruet; da TFP, Opus Dei e UDR. E a vitória da blogosfera sobre a “mídia tradicional”.

Viva Dilma, Lula, Brizola, Getúlio, JK, Jango, Vladimir Herzog, Ricardo Kotscho, Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello (o editor do Jornal da Record, não o ministro do STF), Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Conceição Lemes, Cynara Menezes, Altamiro Borges, Brizola Neto, Cloaca, Stanley Burburinho, Quanto Tempo Dura, Tia Carmela, Hidegard Angel, Wagner de Alcântara Aragão, Francisco Camargo, Julinho Tarnowski, Omar Godoy, Roberto Nicolato, Melo Viana, José de Abreu, Roberto Requião e todo o povo brasileiro!

1 comentários:

  1. Ari, ai você disse algumas coisas das quais eu concordo plenamente. Covas, o tucano mais respeitável dessa sigla, PSDB, deve ter "se revirado no túmulo", com essa semelhança do seu partido, muito parecido com PDSs da vida nessas eleições.
    A mídia sempre se prestou a esse papel, quando se trata da não-elite, lembra-se da luta do Brizola? Falava da Globo com todos os pingos nos is?
    Eu não sou Dilma e nem PT de carteirinha, mas sempre fui, sou e serei a favor de pessoas, grupos e liderenças que visem o bem-estar social e especialmente o dos mais pobres!

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