
Durou apenas um mês e meio a gestão de Fernando Tupan e José Crespo à frente da programação da Rádio Educativa 97,1 MHz. A programação, que passou a valorizar a música produzida no Paraná e toda a cena independente nacional, foi sucesso de público e crítica. Mas, inexplicavelmente, acabou. O governador Beto Richa, que durante a campanha censurou pesquisas e blogs progressistas, agora censurou a produção musical local. O mais surreal de toda essa história é que um dos músicos censurados é o próprio presidente da emissora, Paulo Vítola, que tinha músicas no playlist de Tupan e Crespo.
Desde ontem, a emissora se limita a tocar músicas dos medalhões da MPB tradicional. Nada contra músicos como Chico Buarque, João Bosco e Paulinho da Viola, que merecem todo o nosso respeito e admiração, mesmo porque eles nunca foram deixados de lado, mas é importante abrir espaço também para o que se faz agora, no século 21, em Curitiba, Londrina, Recife, São Paulo, Porto Alegre e em todos os cantos do país.
Tupan e Crespo, como eu disse no post anterior, foram responsáveis pela Estação Primeira 90,1 MHz, a primeira rádio alternativa de Curitiba, que era rotulada como uma rádio rock, mas também tinha programas de MPB, jazz, reggae e música instrumental. Em menos de 9 anos de vida – entrou no ar em caráter experimental no fim de 1986 e acabou em abril de 1995 –, marcou a vida de curitibanos de várias gerações. Fundada por Helinho Pimentel, atual diretor da Mundo Livre FM, a emissora foi vendida ao grupo Inepar em 1993. Em 1995, virou a afiliada curitibana da rede CBN, o que gerou uma série de protestos. Não é para menos: com tantas emissoras inúteis em Curitiba, como Clube, Caiobá, 98, Ouro Verde, Jovem Pan e Transamérica, o grupo liderado por Atilano de Oms Sobrinho e Mário Celso Petráglia escolheu justamente a melhor rádio da cidade para tirar do ar. Um dos ouvintes chegou a tatuar a logomarca da Estação Primeira.
Agora, com essa mudança na Educativa, a sensação é parecida. Depois dessas seis semanas de deslumbramento, voltar para a mesmice da Mundo Livre e da Lúmen é uma tortura. Cadê Te Extraño, Diedrich e os Marlenes, Lívia e os Piá de Prédio (foto), Pão de Hambúrguer, Profiterólis, Lulina (que as locutoras chamavam erroneamente de “Lulina Cristalina”, tratando o nome do álbum da cantora pernambucana como se fosse o sobrenome dela), Aline Calixto, Chico Amaral, Lucy and the Popsonics, Pullovers e o bom e velho Premeditando o Breque? Na Lúmen, não me lembro de nenhuma novidade depois de Karina Buhr. A Mundo Livre não consegue tocar nada mais alternativo que aquelas bandas indie que viraram modinha há cinco, seis anos atrás.
Estamos órfãos. Se você, como eu, quer mobilizar os ouvintes para pressionar o governo do Paraná e tentar reverter essa situação, junte-se à nossa causa no Facebook

taí uma oportunidade pra LUMEN abraçar a causa da música local - coisa que já deveria ter feito...
ResponderExcluiryes!
É verdade! Você e o Marco Stecz até que deram uma força para a cena local no “Último Volume”, mas poucos nomes locais já emplacaram na programação normal. A Lúmen não é pública, mas é uma concessão de serviço público – concessão educativa, por sinal.
ResponderExcluirAbraços
OOpa!
ResponderExcluirPéra lá, não estava tão bom assim!
Sempre fui ouvinte assíduo da Paraná Educativa e nesses últimos 44 dias a programação estava muito além do insuportável! E veja bem, eu não era o único indignado com a nova programação, conheço muita gente que acompanhava a rádio e que também teve que encontrar alternativas! Eu, no caso, optei pela excelente programação on-line da radio nacional de Brasília.
Os caras colocaram na programação aquela chatinha da Malu Magalhães!? Meu que birosca é aquilo, a menininha tem voz de taquara rachada e canta em inglês, não é coisa para se tocar em uma rádio pública que se diz “educativa”.
E mais, abusavam das bandas nativas na programação! Tudo bem abrir espaço para os artistas daqui, mas pelo menos um filtro de qualidade seria necessário. Qual o ganho cultural em se ouvir relespública? Sim os caras eram muito bons ao vivo, mas se fizessem um som próprio minimamente descente a banda não teria ido às favas e o vocalista principal não estaria agora tentando a sorte no sertanejo universitário!
Já escrevi aqui antes que o que os “novos” diretores da rádio estavam criando um novo tipo de jabá, o jabá eleitoral! E agora pagaram o preço por isso!
A rádio Paraná educativa é filiada da ARPUB (Associação das Rádios públicas do Brasil), essa associação tem uma carta de princípios que não estava sendo seguida pelos programadores da rádio.
Resumindo: Uma rádio pública e educativa deve ser difundir, irradiar e produzir educação, cultura e cidadania. Deve também difundir a arte e a cultura nacional.
Não era isso que se via ultimamente na Educativa, portanto, acho que a ordem de reformular a diretoria e a programação não veio do Betinho e sim mais de cima da pirâmide institucional!
Admiro muito o Crespo, desde os tempos da Estação Primeira, inclusive trocamos algumas mensagens quando assumiu a programação da rádio. Tento crer que não agiu de má fé quando lançou essa nova programação, mas é evidente que esse tipo de programação não cabe numa rádio pública e educativa. Isso é coisa para rádios alternativas e uma rádio realmente alternativa faz muita falta aqui na terrinha! Torço muito para que ele encontre ou crie espaço alternativo de rádio aqui em Curitiba, seus admiradores, saudosos da Estação Primeira ficariam muito satisfeitos!
A programação podia não estar perfeita, mas estava mais diversificada e estava cumprindo, sim, o papel de “difundir a arte e a cultura nacional”. Ou você acha que a música instrumental, a “nova MPB” e os artistas independentes não fazem parte da cultura nacional?
ResponderExcluirAri, sim concordo contigo.
ResponderExcluirMas popezinho chinfrin do reles pública, malú magalhães cantando em ingles ou então punk-rock, não são coisas para uma rádio pública!
Respeito sua opinião, mas discordo. Por que não pode entrar punk rock, estilo que revelou bandas geniais como Ramones (talvez a segunda mais influente de todos os tempos, perdendo apenas para os Beatles), The Clash e Pelebrói Não Sei? Só porque é um ritmo de origem estrangeira? Bossa nova e o choro de Pixinguinha, estilos que têm influência do jazz, não podem?
ResponderExcluirAri
ResponderExcluirTenho certeza que concordamos em todos estes temas. Mas o caso da FM Educativa é especial!
É uma rádio pública e, sendo pública tem que seguir certas diretrizes.
se você tiver paciência, leia isso: http://www.arpub.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=59&Itemid=217
e também isso: http://blog.skora.com.br/2011/01/27/o-fim-da-cultura-em-terras-de-muito-pinhao/
Não é uma questão de ser contrário a divulgação dos músicos nativos. Na verdade é questão da divulgação da cultura brasileira.
Também sou músico e compositor (amador) e tenho certeza que uma rádio pública não é lugar para divulgar meus trabalhos. Talvez em um programa especial, no fim da tarde ou final de semana, mas não durante a programação normal da rádio!
Existem muitos outros canais para os músicos daqui apresentarem seus trabalhos.