Mostrando postagens com marcador trocando de biquíni sem parar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trocando de biquíni sem parar. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de outubro de 2010

Scooby-Doo dos Sete Mares


Quem nunca cantou errado uma música por não ter conseguido entender direito a letra? Então, os chamados virunduns (de “Ouviram do Ipiranga…”, do primeiro verso do Hino Nacional Brasileiro) já foram assunto discutido em sites, teses acadêmicas e em uma reportagem recente da revista Piauí. Pois é, eu também tenho meus virunduns.

Quando ouvi pela primeira vez Aquarela, de Toquinho, tive a convicção de que a letra dizia assim: “Entre as nuvens, vem surgindo um lindo avião ‘quase a engrenar’…” O correto é “rosa e grená”, mas naquela época eu nem sabia da existência da cor grená. Pra mim “grená” é como um caipira se refere ao maior clássico do futebol gaúcho. E ficava imaginando como um avião que ainda está quase a engrenar pode surgir entre as nuvens… Se ainda não engrenou, não poderia sequer ter decolado!

E tem aquela da Plebe Rude: “Até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda ‘de um típico Deus’” (é “do divino Deus”). Em outro trecho da música, eu pensava que a letra dizia “Eu amo a distribuição”, mas na verdade é “pela má distribuição”. Também tem virundum do Rappa: “A minha alma tá armada e apontada para a cara do sossego ‘e os Spice Boys’…” (“pois paz sem voz”).

Mas a imaginação de algumas pessoas é muito criativa. Há quem jure que Djavan cantava: “Ao sair do avião, Zumbi pisou num ímã. Branca é às 3h da manhã.” (“Açaí guardiã, zum de besouro, um ímã. Branca é a tez da manhã”). E o Biquíni Cavadão: “Um dia a ‘mãe do Toninho’ tomou conta de mim” (“monotonia”).

Há clássicos, como Noite do Prazer, do grupo Brylho, de Cláudio Zoli: “Na madrugada a vitrola rolando um blues, ‘trocando de biquíni’ sem parar” – é “tocando B.B. King (foto)”. Em Alagados, dos Paralamas, “trenchtown” vira um monte de coisas: “cristal”, “freestyle” ou o que a mente fértil dos ouvintes menos atentos criar. E o Descobridor dos Sete Mares, de Tim Maia, pode se transformar num importante personagem de William Hanna e Joseph Barbera.

Essa facilidade do brasileiro para criar virunduns inspira o surgimento de piadas infames. Conhece aquela do The Doors? “‘The Doors’! Mas mantenha o respeito” (“D2”, em Mantenha o Respeito, do Planet Hemp). E a do The Cure? “‘The Cure’ me adianta viver na cidade…” (“De que me adianta…”, em Saudade da Minha Terra, de Goiá) Há ainda a do Zé Geraldo: “‘É Zé Geraldo’! Jogado aos seus pés, eu sou mesmo o ‘Zé Geraldo’!” (Exagerado, de Cazuza).

E você, leitor (se é que eu tenho algum), conhece algum virundum? Mande pra cá!