sexta-feira, 4 de março de 2011

Pela diversidade de estilos


Um show da one-man band O Lendário Chucrobillyman (foto), formada pelo músico Klaus Koti, marcou na tarde de hoje (sexta, 4 de março) a manifestação que reuniu cerca de 20 artistas, produtores culturais e ouvintes em frente ao Canal da Música, sede da TV E-Paraná e da Educativa FM 97,1 MHz. O motivo do protesto foi a perda de rumo da rádio com a saída do diretor Fernando Tupan e do programador José Crespo. Além da redução de espaço dos músicos locais, a programação da rádio voltou a contemplar apenas a chamada MPB tradicional, como se ainda vivêssemos no tempo das passeatas contra o uso das guitarras na música brasileira.

Segundo o pesquisador Manoel de Souza Neto, integrante do Conselho Nacional de Cultura e que participou do protesto, mesmo apresentando algumas falhas, a programação elaborada por Tupan e Crespo fez a audiência da emissora triplicar, ameaçando concorrentes poderosas, como a Rádio Mundo Livre (93,9 MHz), do GRPCOM (antigo Grupo RPC), e a Rádio Lúmen (99,5 MHz), emissora educativa da PUC-PR. A Mundo Livre estaria até estudando mudanças na programação, abrindo espaço para os artistas locais. Para Manoel, o retrocesso na rádio pública do Paraná reflete o elitismo cultural enraizado no estado, onde as manifestações populares como o lundu, a música gaúcha, o fandango, o hip-hop e até o rock foram sempre reprimidas. O pesquisador afirma que há uma ideologia que privilegia a MPB tradicional e a música clássica europeia.

No meio da tarde, a direção da rádio convidou os manifestantes ao diálogo. O novo diretor da emissora, Paulo Vítola, que acumula o cargo com a presidência da TV, assegurou que a meta é chegar a pelo menos um terço de produção local na programação. O preocupante, porém, é que ele não deu garantias claras de que haverá diversidade de estilos na programação. Segundo Vítola, a programação será submetida a um conselho curador. Os manifestantes defendem que a sociedade civil, representada pelo Fórum Permanente de Música do Paraná e diversas entidades de classe, tenha representação paritária no conselho.

Os manifestantes pretendem se manter permanentemente mobilizados nas próximas semanas, aguardando a definição da grade de programação da emissora. Fique ligado aqui e também no blog Educativa – O Paraná que não Se Toca para acompanhar os novos acontecimentos dessa disputa. Se você está no Facebook, pode aderir à causa Por uma rádio que toque o Paraná e deixar lá sua opinião.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Proteste já!

Do músico e jornalista Ivan Santos no blog Política em Debate:

Músicos paranaenses preparam manifestação contra mudanças na Rádio Educativa


Músicos paranaenses promovem nesta sexta-feira, as 15 horas, em frente ao Canal da Música, uma manifestação em protesto contra as recentes mudanças na programação da Rádio Educativa do Paraná, após a saída do jornalista Fernando Tupan da direção da emissora. Eles pretendem levar um gerador e se apresentar em frente à sede da rádio. Leia mais

Luto

Texto do Luiz Claudio “Lobão” Oliveira publicado na coluna Acordes Locais da Gazeta do Povo:

Educativa FM abandona a música paranaense


Os músicos paranaenses devem adotar o luto. Um sonho bebê, uma revolução ainda criança, que começava a engatinhar, foi assassinada dentro da Rádio Educativa do Paraná, agora chamada E-Paraná. No dia em que Ivo Rodrigues faria aniversário, a música paranaense recebe mais uma punhalada. Após um período de euforia, a emissora voltou ao passado e abandonou novamente a música paranaense. Leia mais

terça-feira, 1 de março de 2011

Rolmops & Catchup no ar

Do blog do Zé Beto

1 mar 2011 - 19:53

Francisco Pancho Camargo acaba de colocar no ar o seu indelével (só para encher o saco dele com esta palavra) blog. Para orgulho do aprendiz aqui, neste Jornale. Rolmops & Catchup não precisa apresentações, mesmo porque, quem não sabe, vive no mundo das trevas e da ignorância pai d’égua. O jornalista, muito menos. Leia mais

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Era bom demais para ser verdade


Durou apenas um mês e meio a gestão de Fernando Tupan e José Crespo à frente da programação da Rádio Educativa 97,1 MHz. A programação, que passou a valorizar a música produzida no Paraná e toda a cena independente nacional, foi sucesso de público e crítica. Mas, inexplicavelmente, acabou. O governador Beto Richa, que durante a campanha censurou pesquisas e blogs progressistas, agora censurou a produção musical local. O mais surreal de toda essa história é que um dos músicos censurados é o próprio presidente da emissora, Paulo Vítola, que tinha músicas no playlist de Tupan e Crespo.

Desde ontem, a emissora se limita a tocar músicas dos medalhões da MPB tradicional. Nada contra músicos como Chico Buarque, João Bosco e Paulinho da Viola, que merecem todo o nosso respeito e admiração, mesmo porque eles nunca foram deixados de lado, mas é importante abrir espaço também para o que se faz agora, no século 21, em Curitiba, Londrina, Recife, São Paulo, Porto Alegre e em todos os cantos do país.

Tupan e Crespo, como eu disse no post anterior, foram responsáveis pela Estação Primeira 90,1 MHz, a primeira rádio alternativa de Curitiba, que era rotulada como uma rádio rock, mas também tinha programas de MPB, jazz, reggae e música instrumental. Em menos de 9 anos de vida – entrou no ar em caráter experimental no fim de 1986 e acabou em abril de 1995 –, marcou a vida de curitibanos de várias gerações. Fundada por Helinho Pimentel, atual diretor da Mundo Livre FM, a emissora foi vendida ao grupo Inepar em 1993. Em 1995, virou a afiliada curitibana da rede CBN, o que gerou uma série de protestos. Não é para menos: com tantas emissoras inúteis em Curitiba, como Clube, Caiobá, 98, Ouro Verde, Jovem Pan e Transamérica, o grupo liderado por Atilano de Oms Sobrinho e Mário Celso Petráglia escolheu justamente a melhor rádio da cidade para tirar do ar. Um dos ouvintes chegou a tatuar a logomarca da Estação Primeira.

Agora, com essa mudança na Educativa, a sensação é parecida. Depois dessas seis semanas de deslumbramento, voltar para a mesmice da Mundo Livre e da Lúmen é uma tortura. Cadê Te Extraño, Diedrich e os Marlenes, Lívia e os Piá de Prédio (foto), Pão de Hambúrguer, Profiterólis, Lulina (que as locutoras chamavam erroneamente de “Lulina Cristalina”, tratando o nome do álbum da cantora pernambucana como se fosse o sobrenome dela), Aline Calixto, Chico Amaral, Lucy and the Popsonics, Pullovers e o bom e velho Premeditando o Breque? Na Lúmen, não me lembro de nenhuma novidade depois de Karina Buhr. A Mundo Livre não consegue tocar nada mais alternativo que aquelas bandas indie que viraram modinha há cinco, seis anos atrás.

Estamos órfãos. Se você, como eu, quer mobilizar os ouvintes para pressionar o governo do Paraná e tentar reverter essa situação, junte-se à nossa causa no Facebook

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dial renovado


Dizem que nada é 100% bom nem 100% ruim. No Paraná, a volta da turma do pedágio teve seu lado bom: a Educativa FM 97,1 perdeu o Paraná no nome mas o ganhou na programação musical. A emissora pública paranaense trocou aquele desfile interminável medalhões da MPB dos anos 60, 70 e 80 por um playlist mais eclético, trazendo também uma música brasileira contemporânea (na trilha aberta pela Lúmen) e abrindo espaço para artistas locais dos mais variados estilos. Artistas do Paraná como Te Extraño (foto), Relespública, Pelebrói Não Sei, Feichecleres, Opinião Pública, Fato, Banda Gentileza, Rogéria Holtz, Maremotos e Búfalos d’Água dividem espaço com expoentes da nova safra nacional, como a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana (que tem entre seus integrantes o curitibano Sérgio Soffiatti, ex-Skuba), Érika Machado (erroneamente identificada pela emissora como “Érika Carvalho” na música Plutônio enriquecido, de John Ulhoa) e Karina Buhr. Programas antigos, como o ótimo Samba de bamba, produzido e apresentado pelo grande rubro-negro Rodrigo Browne, e Brasil ao pé da letra da canção popular, com Luciana Worms e Wellington Borges, continuam no ar, mas alguns tiveram o horário alterado.

No comando da programação está o músico e jornalista Fernando Tupan, que foi o primeiro diretor artístico da saudosa Estação Primeira FM 90,1, auxilado por José Crespo, que o sucedera na emissora extinta. A nova cara da rádio pública do Paraná está em fase de ajustes, mas a (boa) repercussão da mudança foi imediata nos blogs musicais, cadernos de cultura e nas redes sociais. Vamos aguardar os números do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Lúmen FM 99,5, Mundo Livre FM 93,9 e 91 Rock FM 91,3 que se cuidem!